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Concurso Literário

 

Carlos Alberto Júnior (Xúnior Matraga)

Curta Biografia

Recém-formado em letras, sou um cinéfilo incorrigível, amante do cinema nacional. Tenho um livro infantil editado "João Romão e o Pássaro da Ilusão" vencedor de um concurso para ediçào de livros. A cerca de um ano e meio me arrisco em palestras de incentivo a leitura em faculdades e escolas de Ensino Fundamental.

Segredos

Confesso ser humano,

Ser insano, ser urbano e infeliz

Não obstante,

Confesso ser distante,

Inquieto e impreciso

Confesso ser inerte,

Inócuo, indefeso e indeciso

Confesso que não mato,

Não morro, não fujo, não cego

Confesso estar vivo e estar morto

Confesso em lágrimas,

Em risos, em cismas e em rimas

Confesso ser poema, ser prosa,

Ser versos e ser letras

Confesso ser nobre,

Ser pequeno, ser príncipe e não ser nada

Confesso minhas mentiras,

Meus medos, meus segredos e todo o resto...

Confesso que sou um livro aberto,

Da página primeira até o infinito...

Confesso ser rascunho, inacabado e imperfeito

Confesso não saber o que é avesso

Confesso que já perdi as contas,

As rezas, os dias, os números...

Confesso em todos os tons,

Em todas as cores, de todos os jeitos

Que se confesso que finjo

Já não finjo quando confesso...

Longe daqui

Quero ser lembrado por alguém
Daqui a alguns anos, ou mais do que isso
Quero não quebrar as correntes
Não soltar as amarras, tornar mais firmes os laços
Quero inventar meu caminho
Descobrir outros tantos
Velejar sozinho
Quero evitar o inevitável
Desbravar o que há
Dentro ou fora de mim
E se sou apenas o que me é possível
Permito-me ser
E no sem fim do infinito, é onde espero por mim.

Poeta em carne viva

Eu, pessoa primeira
Da gênesis do meu momento
Até a glória do meu fim
Eternamente efêmero
Na morte de todos os dias meus
Venho à luz
Instituo meu caminho,
Parto,
Minha direção é o sol
E minha luz é a própria luz do mundo
Sou poeta em carne viva
Cada verso corta-me profundo
Sou a estranha ilusão do mundo
E lentamente sigo meu caminho vacilante

Sentimento Acidental

Olhando as ruas ao entardecer
Vejo as pessoas com seus dias pequenos
Alimentando a dor em seus olhares amenos
Lutando a ponto de enlouquecer

As vidas já não são tão simples e vadias
Como outrora, o tempo se arrastava
Agora o tempo urge, ultrapassa
Velozes voam meus pequenos dias

Homens cansados voltam a seus postos
Ansiosas crias esperam por seus pais
Ao longo de um dia inteiro que se esvai
Repousam lânguidos seus tristes corpos

Feito gaiolas parecem-se as casas
Edifícios belos atrás de muros altos
Pessoas escondem-se em seus grandes quartos
Sentindo-se pássaros sem asas

Assemelham-se às artérias as avenidas
Conduzindo-nos a todas as partes da cidade
Pessoas comemoram secas suas idades
Sentimento simples de louvor a vida

Recobro lembranças que não vivi
Homens honrados desfalecendo ao léu
Ao sétimo dia de outubro, o fel
Antigos contam-me as insanidades que não vi

Interinamente prostrado em meu leito
O silêncio lá fora grita pro mundo
A cidade respira um sono profundo
Uma paz momentânea recobre-me o peito

Tudo se esvazia, recolhe-se o povo
Seguindo a rotina vil de seus horários
Pequenas praças de verdes solitários
Esperam ávidas por um dia novo

Minh’alma se enche de uma divinal
Esperança, que pouco contar saberemos
Os sonhos e as felicidades que tivemos
Lembranças de um sentimento acidental

Tão bela natureza ao meu olhar
Ipatinga soberana se apresenta
Emoção que meu peito não agüenta
São histórias que na alma vou guardar


P.s.: Este poema foi livremente inspirado numa obra do poeta Lisbonense Cesário Verde, de nome "Sentimento dum Ocidental".


Sentimento dos outros

Quando o tempo passar, e eu ainda permanecer

Quero apenas lembrar dos momentos que tive

Que sejam doces de se recordar

Mesmo os amargos

Que sejam simples de recobrar

Mesmo os mais torpes

E que eu não guarde de outrora

Nem mágoas e nem choros

E que as fotos ao olhar-me

Não percebam em minha face

As marcas sinuosas

Que me causou o tempo

E que eu viva, tanto, que vivendo morra...

Pois longe, muito longe

Posso ver-me senhor de mim,

Penugens brancas e ralas

A decorar-me o rosto fino

Olhares cândidos e lúgubres

A contrastar à paisagem natural

E que eu me delicie

Com a agridoce solidão campestre

Assim, tão certa e simples

Assim, tão só...


Carlos Alberto Júnior (Xúnior Matraga) - email

 

 

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