
Luiz Guilherme Libório
Alves

Meu
nome é Luiz Guilherme Libório Alves. Nasci
em Bebedouro há 14 anos, 11 dias e algumas horas.
Estudo de manhã numa escola pública
e trabalho à tarde num supermercado da minha atual
cidade, Valentim Gentil. Tenho muito pouco tempo para escrever
no papel, por isso passo o dia todo escrevendo na cabeça.
No começo, dói um pouco, mas sempre se evolui.

Sugestão
Um exército de loucos
Seria o melhor a se fazer
Crianças, palhaços, doidivanas
Dançando entre estandartes e camas
Num lugar a se escolher
Partiríamos daqui
Da Bahia ou do Bahrein
Com trompetes e assombros
Muitos risos, poucos panos
Rumo a Marte!
Você eu
E as gentes também
Vamos rodar com o Mundo
Dando a glória a qualquer um
Não digo a esse pobre mendigo
Digo a terra, ao calor, ao mar
Ao rum!
E teremos guarda-chuvas
Como armas de respingo
Que a cada filosofança
Rodemos os giradores
E continuemos com os gritos
E uma a uma as nações vencendo
E o povo pulando de vencido
E eu vivendo do azul de minha amada
E tudo sendo, dos loucos, varrido

A Maria
Como faço para te entender Maria?
O que hei de fazer
Para saber se você é mesmo assim?
Com os seus mostra-se mais mulher
E me amedronta
Os seus sorrisos, as suas malícias
Os seus pequenos chiliques cotidianos
São mais você do que
A menina doce que você mostra a mim?
Qual máscara é a mais verdadeira?
Ou, mais espanto
Não há máscara?
Como descobrir?
Sabe Maria?
Quero te ver nua
Qualquer dia desses...
Topa?

Pobre bicho perdido
Essa angústia
Destruidora, seca e ofegante
Não é minha.
Vem de outros tempos,
Vem de outros lugares,
De outros povos...
Fantasmas nem amigos nem inimigos,
Desconhecidos, somente.
De coisas que não vi
Mas que agora vejo
Sensação de guerra perdida
De rendição definitiva
Um Vesúvio só pra mim!
E mais choros, cruzes, chagas e cheiros
No baú de coisas que não vivi
Outras eras...
Quando as terras ainda eram virgens
E Queimavam
Quando se ouviram gritos
De que todos eram culpados
Era de poderes infinitos
De luas vermelhas
De reinos bombardeados e suas moças:
O lamento vermelho das belas
De Berlim, de Nínive e de Tróia
Mas também é angústia
de terras sem história
De vidas pouco tocadas
De solidão a beira dum lago
Da vontade suicida do mendigo
De injustiças não registradas
De mulheres que foram exemplo
Num sertão qualquer...
E tantas são as outras dores que carrego
em mim
Sem que sejam minhas
Que até as compreendo...
São coisas que alguém sentiu um dia
E que, sem querer, peguei em herança
Como castigo por não tê-las sentido no tempo
certo
E além da angústia não
ser minha
Também não é sua
Nem dos magnatas do norte
Nem de qualquer outro que porventura
A sinta
Essa angústia
É a eterna angústia comum dos piegas
Ela não morre.
Ela não muda.
Ela se mantém:
Mais uma lembrança
Pelos poucos
Angustiados de verdade
Que insistiram não procurar pelo espaço alguém
para entendê-los

No quarto
Três poemas foi o que escrevi.
Três poemas tortos e feios,
Um quarto irá vir
Disso eu tenho certeza
Pena não ter moral sentimento
Para escrever no seu hálito vento
Nem a sala nem o canteiro
Eu não
Vivi o bastante para falar das moças
Não olhei o bastante para falar da flor
Não ouvi o bastante para falar de mim
Não morri o bastante para falar de Amor
O dobro de sete anos ainda tenho
Nasci como um livro:
Não sei se vou morrer.
Nunca li Camões nem Drummond
Nem Platão e nem Cecília
Por isso os poemas que me lêem
Dizem que sou jovem
Que não me amam
Três poemas foi o que escrevi.
Três poemas, e sem os querer!
Três poemas perdidos no espaço
Nem pra ti, nem pra tu, nem pra você

Afinal
O que quero dela?
Um beijo, um abraço?
Um gemido?
Quero-lhe a paz?
O amor ou ser amigo?
Quero promessas?
Quero rimas?
Idéias?
Não
Não é nada disso
Basta que ela esteja ao meu lado
Nesse absurdo que é viver!

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