Elaine
Pauvolid
POR MISERICÓRDIA
Traindo, cantas teus
versos, teus segredos
por eles e para livrar-te deles.
Que serás após? Teu próprio verso?
Nunca outro a contar de ti
em utopia generosa de viver!
Que outro, se é às tuas costas
que ardem as verdades,
e é o teu sangue
que borda as páginas?
Trai, evola-se
o poema que te move,
alimento da alma receosa,
eco de outras vozes desejosas.
Por misericórdia hão de escutar-te
quando clamares por isto
nas chamas de "teus livros".
A música cuja letra não é tua
é a mesma que saúda
inocentes sem traição alguma,
e é isso que traduz teus berros
em versos claros, não mais a chuva
e tua ciranda de solidão e bruma.

Fellipe
Cosme
Depressão
Para o Fabio Rocha
Não chores,
Jesus das letras,
Diabo do inferno.
Palavras são palavras,
A esperança chora,
Não chores não.
O ódio, o rancor,
A vida choram.
Deixa que chorem por ti.
Deixa que os versos chorem
De agora em diante.
Não chores por eles.
Não chores
Pelos que não choram,
Nem pelos que riem do mundo.
Chores por viver,
E por teres do inferno
Um céu de arco-íris.
Que chores
Pois do mais ardente calabouço
Constroes a mais bela poesia.
E viva à poesia,
Mesmo no inferno!
Um brinde a ela!
(26 de Novembro
de 2003)

Rodolfo
Muanis
navalha palavra
e uma garrafinha de refrigerantes
para Fabio Rocha
"a juventude é uma
banda
numa propaganda de refrigerantes"
Engenheiros do Hawaii
o mundo é uma grande
armadilha
tentando aprisionar a poesia
fazem de você dia a dia
para que escondas seus versos na gaveta
caçam as borboletas para pesquisas
calam o amor com lágrimas
ainda bem que quem é poeta
saca a palavra como uma navalha
e rasga o silêncio seguindo adiante
segue firme sabotando o tempo
e deixando soprar o vento
vai vendendo refrigerantes
(16 de Outubro
de 2003)

Marise
de Sousa
Amo amanhã
(para Fabio Rocha)
Hoje não posso,
tudo conspira:
o medo veste a fantasia!
Hoje não devo,
a noite (in)sonha
agonia!
Vou amar amanhã,
"amanhã vai ser
outro dia"!
Ana
Maria
FABIO ROCHA
F ilho virtual querido, parido do coração, operou a magia
nas minhas noites vazias
A lguém, me zelando e espreitando? É o divino querer ...
B eijo-te a fronte com a ternura cativa
I dêntica a Virgem Maria
O sculando a face do filho já inerte, expressando ali
a máxima do amor
R egozijam-me as alegrias dos seus encantos
O seu falar doce, suave, terno, compreensivo
C arinhoso, meigo, e pungente
H á que falar sempre mais alto
A esse pobre coração carente.
Emocionada acrescento: Pari pelo coração
o mais lindo e terno filho virtual...
Moema
Goldmann
Feliz és tu Fabio
que na vida vindo,
és capaz de pensar tão grande
e sonhar tão lindo!
És uma lição para aqueles
que da vida indo,
só encontraram solidão e sequer conseguiram
ver a vida lhes sorrindo.
Quando jovem sem buscar
encontrei...
aquele que pensei,
até seus defeitos pudesse admirar.
Que engano!
O tempo passou e sem esperar,
veio a terrível decepção
ele sem pena de me magoar
feriu muito meu coração.
E agora ao ler o teu poema lembrei-me de Florbela Espanca
quando diz:
"Sou talvez a visão que alguém sonhou,
alguém que veio ao mundo pra me ver e
nunca na vida me encontrou."
Talvez eu retome essa "Busca" e deixe de ser
a visão de alguém que
sonhou...pois decepção não é motivo para se deixar de
ser feliz.


Moisés
Abominável menestrel das neves
Um violão que toca a última nota
Um tom sustenido que perdura no ar
Que insiste ao saber que sua vida se
extingüe
Que, aguda, estica-se e morre
O silêncio perdura no ar
Pois o trovador não quer mais falar
Os lobos que uivavam á sua companhia
Agora silenciam em triste melodia
As nuvens cobrem a luz do luar
A névoa vem para opaca o ar tornar
Antes conhecido por sua alegria
Hoje a canção se torna desarmonia
A neve cai indiferente, friamente
Congelando o calor tropical
Punindo a razão, enevoando a mente
Completando visualmente o final
O herói agora é monstro
O lorde agora é servo
O trovador agora mudo
O guardião agora dorme
Nos lábios não mais uma canção
Nos lábios não mais um beijo
Nos lábios agora a morte
E a tristeza da última, silenciosa,
canção

Wanderlino
Arruda
CHUVA-LUZ PARA
A MULHER-SEREIA
Por que olhar para
cima?
Por que semimergulho no mar?
Braços querem abraços,
mãos dançam música sincera
em apertos do coração.
A luz redesenha chuvas e marcas de seios,
louros cabelos, pele de pêssego:
mulher-sereia,
mulher inteira, mulher sim,
mais do que mulher...
E porque sensível e linda,
enigmas suspiram no vento sul nos mais róseos acalantos.
Luiz
Carlos Amorim
ÁRVORE-FLOR
Meu pé de jacatirão
caiu semente em mim
brotou viçoso e verde,
ficou raízes,
cresceu frondoso
e desabrochou,
floresceu cores.
Pintou de branco,
rosa e vemelho
todo o chão
do meu coração...
Eliane
Malpighi
o homem que eu amo
atravessou o meu deserto
e entrou em mim como oásis
varreu as folhas secas
de um inverno longo
que quase me matou
de medo, de frio e solidão
trouxe de um outono de sonhos
um hoje que me sacia
e na primavera com que me invade
quero embriagar-me em seus beijos
és o avesso da minha ilusão
e eu nem sabia
Rosa
Clement
MARIPOSA
Meus dias passarão tal como hoje,
marcados na sentença deste pouso
onde o vento não abre minhas asas
e só me faz a presa dessas horas...
Sou eu a mariposa na vidraça
olhando as borboletas da paisagem,
que dançam sob os prazeres do vento,
na luz que amo tanto sem mistério.
O tempo passará sempre ofuscante
trazendo borboletas frente a mim,
detidas neste sonho dos meus olhos.
Resta-me debater tão loucamente
para voar, e nos ares sentir
a minha luz, meu vento, meu amor.
Rita
Sá
PARA UM NOVO
AMOR
Um dia hás de chegar
e vais trazer no teu abraço toda a salvação de mim
Hás de-vir cheio de vontade de nós
e levarás embora toda saudade e dor do outro que não
soube
nem quis ficar
Hás-de trazer no corpo o saboroso licor que me darás
a beber
que cortarás em cálices de amor e doçura
nas noites e dias em que a mágoa do outro persistir
Virás eu sei
um dia
E eu te acolherei como a um anjo
descido dos céus
E te darei todo aquele amor que ainda restou
adormecido
em mim
(22/04/2000)
Luiz
Carlos Lemos
MOTIVO
Não quero que os críticos
me elogiem.
Não pretendo que os sábios
me estudem.
Nem sonho que os céticos
me creiam.
Não quero ser,
abjeto,
objeto de teses pomposas.
Só quero que os cegos me leiam,
só sonho que os surdos me ouçam,
só pretendo que os loucos me entendam.
E que os bêbados cantem e dancem
meus versos, nas ruas mortas...
E que os velhos e as crianças
me tragam beijos e rosas.
Eliana
Mora
CEGUEIRA
meu corpo
em luz
parece flutuar
como garrafa transparente
em pleno mar
inchada
grávida
de bilhete antigo
para amor
que nem lê mais
(14 de novembro
de 2000)
Anibal
Beça
PARA QUE SERVE A POESIA?
De servir-se utensílio dia a dia
utilidade prática aplicada,
o nada sobre o nada anula o nada
por desvendar mistério na magia.
O sonho em fantasia iluminada
aqui se oferta em módica quantia
por camelôs de palavras aladas
marreteiros de mansa mercancia.
De pagamento, apenas um sorriso
de nuvens, uma fatia de grama
de orvalho, e o fugaz fulgor de astro arisco.
Serena sentença em sina servida,
. . seu valor se aquilata e se esparrama
. . na livre chama acesa de quem ama.
Ricardo
Alfaya
O ÚLTIMO GUARDIÃO
Havia um fogo no
céu. O guerreiro olhou preocupado, empunhando sua lança.
De pé, olhou em volta. A linha do horizonte se encontrava
longe, muito longe de seus olhos. À beira do rio, no
meio da mata, estava só. Apenas ele e aquele ardor no
céu. Recostou-se em uma árvore, consultou o Livro Sagrado.
Tentou manter-se alerta, mas pouco tempo resistiu. A
caça e a pesca foram fartas. Por que comera tanto? Agora
lhe vinha um sono intenso. E o círculo flamejante, estaria
com fome? Olhou de novo para a mancha vermelha sobre
o azul. A esfera incandescente lhe pareceu bela e faminta,
apenas esperando o momento certo para o bote. Resolveu
pôr-se novamente de pé, ainda assim, as pálpebras pesavam.
Uma voz jovem de mulher vinha com o vento e sussurrava:
"morrer é doce". Mas ele não acreditava. Sentiu os joelhos
se dobrarem, o livro lhe cair das mãos. Era um homem
forte, que derrotara três gigantes, mas seus joelhos
se dobravam. O crepitar das chamas parecia mais perto,
mais nítido. Do vento continuava o sussurrar, "descansa,
bravo guerreiro", e ele já estava de joelhos, tocando
a terra sentindo-lhe a aspereza. Não havia muito tempo.
Num esforço supremo, lançou em torno um último olhar.
Pela derradeira vez contemplou bem próximo o tamanho
de sua solidão. Em seguida, sentiu-se sair do corpo,
sendo guiado pela voz que vinha com o vento. E a carne
já inerte tombou de vez. Quando isso aconteceu, aquele
planeta inteiro foi devorado pelo fogo.
Soares
Feitosa
DO BELO-BELO
para Manuel Bandeira,
inventor de outros belos.
É mentira dos paisagistas,
quando dizem:
o belo deve ser o grande canion;
as paisagens da tundra gelada;
os coelhos, os alces da planície;
um olho distante,
a mata
em flor.
Belo também deve ser à tarde rubra
(que eu mesmo cantei,
dos meus paredões, Ibiapaba,
a serra vasta),
o sol rasgando a montanha,
quando s'escondia
pro outro dia...
Também belo, o sorriso
da mulher
(ou do homem, conforme)
amada, amado,
que o amor é belo
e ninguém contesta.
Nenhuma beleza maior,
porém, do que a dos dois-dentes,
dois,
podem ser os de cima,
podem ser os de baixo,
quatro;
também pode ser assim, quatro,
ensaiados de um sério para um sorriso,
os dentes - ou somente o lugar deles, dentes;
uma gengiva, melhor assim, só a gengiva,
banguela, ao nascedoiro do que há de vir -
e a criança, e os dois meses
e o seio pleno,
derramado,
pingado, apojado, cheio:
-- meu filho...
A profunda paz
de fêmea-mãe,
que a voz e os olhos se transmudam,
se regaçam de multi,
multitons de paraíso - deve ser igual -,
e os cherubins abaixam, trêmulos, as espadas, deixam-na
entrar...
que lá,
por certo, e o sorriso,
um dia fora assim mesmo:
-- mãe,
sou eu, amor.
Salvador, tarde
quente, 27.10.1995.
Francisco
Alvim Jr.
FÁBULA
Meu filho caçula, que tem onze anos,
separou cuidadosamente dois ou três grãos de feijão
e aninhou-os em um pequeno chumaço de algodão
embebido em água.
A filha do meio, que tem quatorze anos,
colocou-os para receber sol,
alegando que era isso muito importante!
O filho mais velho, que tem dezoito anos,
teceu comentários científicos a propósito da experiência,
e não fez mais caso.
A mãe, que tem trinta e oito, regou-os por dias a fio,
e ensinou a todos que era isso fundamental
para a germinação e crescimento da planta!
E eu, que nem sou João,
e já te tenho quarenta e tantos,
e tantos anos de poesia,
esperaria tantos anos mais para vê-lo crescer,
e nele subir...
E poder alcançar as nuvens, junto com meu filho caçula.
Nathan
de Castro
Soneto pra Abraçar
os Amigos Poetas Internautas ( por e-mail )
Na vida caminhei qual entendido...
depois de muitos anos percebi
que não sabia nada e já perdido,
um dia na poesia a luz eu vi.
Iluminei meu quarto com poemas;
e pra sangrar canções, atravessei;
portais que pelo mundo dos sistemas,
um dia descobri... e me encantei!
Pra navegar meus sonhos e lembranças,
hoje bebo emoções nas madrugadas;
persigo os meus caminhos co'esperanças
de vidas e paixões na caminhada...
Na tela, companheira das andanças:
- Abraço os meus amigos desta estrada!
Felipe
Sáles
Homezinhos Verdes
(Ou um dia no Exército)
Pra um mundo limpo
e sadio,
eu e outros fomos abduzidos.
Haviam homenzinhos verdes
com armas talvez a lazer.
Gigantes homenzinhos verdes.
Os olhos nao tinham cor,
os ouvidos tinham redes
e a arrogancia ardia em sede.
Métricos homenzinhos verdes...
Até parecem conosco,
mas nos corações tá exposto
prazer no alheio desgosto.
Fétidos homenzinhos verdes...
Eram todos de um só sexo!
Como nasciam os seres?
Teriam órgãos anexos?!
Gélidos homenzinhos verdes...
Mal humor: é ou não perene?
É o excesso de contigente
ou uma simples TPM?
Verdes homenzinhos árvores.
Jáz uns em forma estática.
Longínquo olhar de mármore
e um silêncio a louvar a pátria.
E então... saudei o mundo civil.
Vi que posso não ser viril
nem ser verde - mas sou livre;
tenho a esperança que não vivem.
Angela
Nassim - Lynn
O CLAMOR DOS POETAS
Deixai, poetas,
de cantar loas
à mulher amada,
erguei vossas vozes
poetas,
aos alienados!
Juntai vossas vozes
aos lamentos
dos desesperados,
e dos esfomeados,
filhos da miséria,
de pais desempregados,
abandonados, deserdados,
Gritai por justiça,
clamai aos
seus dirigentes,
enternecendo-os
com os lamentos,
com os gritos
de fome
dos seres carentes,
frutos da rapina e
da ganância.
Despertai,
poetas,
as consciências,
não as deixeis
dormir no silêncio
do descaso,
e do desdouro.
Clamai,
poetas!
Alexandre
G. Botelho - Daishoo
ALEGRIA
A alegria em teu belo
peito
Bateu as asas voou, voou...
E ergueu-se alta no firmamento,
Ninguém mais a viu, a avistou.
Tua alegria, ave peregrina,
Fugiu de ti e o mundo rodou,
Triste e sozinha em sua sina
De vagar longe de quem amou.
Tua alegria conheceu mundos
De sã beleza, moral sem-par;
E os viu enfim, tristes, moribundos,
Em guerras d'ego se acabar.
Tua alegria voou voou...
Jamais parou para descansar.
Durante o vôo se transformou,
Embruteceu-se por não ter lar.
Tua alegria em um delírio
Debalde quis para ti tornar.
Alegria quer voltar do exílio...
Quando! Quando a deixarás voltar?
(09/04/1999)
Lau
Siqueira
AOS PREDADORES DA UTOPIA
dentro de mim morreram muitos tigres
os que ficaram no entanto são livres
Cristianne
- Tiza
NÃO MAIS
Já não mais me importa:
Se do caos surgiu o início
E do barro nasceu o mito,
Se o sol explode em cores
E a lua cheia é puro feitiço.
Já não mais me importa:
Se a ostra a pérola aborta
E o mar de ressaca é bravio,
Se a flor sem recato se abre,
Alimentando desejos lascivos.
Já não mais me importa:
Se da boca a dor escorre
E da garganta cala-se gemidos,
Se a esperança ainda existe
Dependurada a beira do abismo.
Já não mais me importa:
Se os meus olhos eram sedentos
E os seus, são de mel cristalino,
Se do passado restam silêncios
E do futuro sobram vazios.
Já não mais me importa:
Se inventamos uma história
E dela não há nem vestígio,
Se ao corpo que agora me abraça,
Entrego-me ao sacrifício.
Giulia
Dummont
SEM VOCÊ
Sem você eu sou nada.
Sou noite sem madrugada,
Sem aurora, sem raiar.
Estrela sem poder brilhar.
Sem você eu sou nada.
Sou viajante sem pousada,
Sem rocinante para cavalgar,
Sem alento para caminhar.
Sem você eu sou nada.
Sou flor abandonada,
Ao sabor da tempestade.
Uma rainha sem majestade.
Sem você eu sou nada.
Sou uma sombra, desesperada,
Sou alma triste a vagar
Buscando onde se abrigar.
Sem você eu sou nada.
Sou a terra seca, castigada...
Sou pétala caída de flor que murchou,
Sou um sonho inacabado, que passou.
Brenno
Kenji
METONÍMIA
Tentei gritar, não
consegui
Minha voz, perdi
tantas eram as vozes que gritavam
dentro de mim.
Defronte a um espelho, meu rosto
procurei na massa disforme da minha face
E foi assim sério, com tal desgosto
que descobri, então, o meu disfarce
Não tinha um rosto, mas tantos rostos!
Embaralhados, tal como cacos
de vidro que, em mil pedaços,
ora sorriam, ora choravam.
Dentro de mim, todas as vozes
gritavam em coro. Oh, tantos coros!
E tantos rostos, quando choravam
eu bem sabia que me matavam!
Sim, eu morria, mas era um sonho!
Sim, eu morria, e o meu sonho
que, em pedaços, se contorcia,
com tantas vozes e tantos rostos,
também morria!
Mas era um sonho, somente um sonho!
Um sonho triste, tão moribundo
Tudo morria! Mas em tal sonho
nem nome eu tinha:
eu era o Mundo
que, então, morria...
(04/11/99)
Isabel Ribas
Vestida de céu,
no azul da manhã fria,
Curitiba acorda.
E grita poesia...
André
Pereira
Um Homem
Eu vejo um homem
Simples e ignorante.
Poderoso e grande.
Um homem
Branco na alma quando morre
E negro na carne quando sofre.
Eu vejo dentro do homem
Um deus intolerante.
Um herói adormecido.
Um animal irracional.
Uma criança mimada.
Eu vejo uma mente rica
E um coração pobre.
Eu vejo um homem
Livre e mal amado.
Capaz e não entendido.
Um homem de bem
Crucificado na vida
E ressucitado na morte.
Eu vejo um homem igual aos outros homens.