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Este site existe porque acredito que a humanidade precisa de arte, filosofia, autoconhecimento, cultura e educação. Navegue, inspire-se, reconheça-se, crie, liberte-se, viva... Fabio Rocha
 
     

 

Prefácio

Há algum tempo a internet, grande promotora de tantos encontros fortuitos – alguns bem pouco prováveis, não fosse sua existência – fez cruzar o meu caminho a poesia de Fabio Rocha.

Possuidor de uma poesia incisiva, direta e sintomática, Fabio vem, através de Acre Dito, continuar a provar que é possível, com arte e talento, fazer mais com menos; sintetizar e dizer tudo; condensar, sem perder grandiosidade.

A dialética de Fabio é simples, breve. E bela. Não fica devendo, não sobeja, não necessita de aparas. Tem sagacidade e beleza suficiente para despertar os sentidos do leitor. E tem aí finda sua participação: até o absorto do que vai na alma de cada leitor. Sua escrita não busca conduzir para onde o poeta estava no momento em que o papel tomava vida em suas mãos: seus poemas despertam para um desejo, um pensamento, e então, sutilmente deixam a cena, cessam sua intervenção. Nem um milésimo de segundo antes de ter provocado, incitado, excitado nosso raciocínio ou sentimentos, ou raciocínio e sentimentos. A poesia de Fabio nos faz pensar; não busca conduzir, mas sim ser centelha de profundo alcance. Com algumas idéias nos identificamos, de outras, discordamos. Indiscutível é a harmoniosa comunhão entre as palavras. Seus poemas, seus curtos poemas, percorrem longas distâncias.

É, você me lê direitinho....” me escreveu dia desses. Se só eu lesse – e entendesse – não haveria tantos elogios à qualidade de sua poesia, e Quintana não estaria certo ao dizer que, quando se lê e relê um texto, e não se entende, pode ser problema do autor. Entendo – penso que, ao menos - o que me conta a poesia contida neste livro. Acredito em Quintana. Logo, o mérito pelo entendimento não é somente meu.

Embora meus comentários possam soar como fruto de opinião parcial devido à amizade existente, é bom que o leitor aqui saiba, que a análise primeira foi feita somente sobre a obra. A amizade e carinho pelo autor vieram tempos depois. Indício é de desvinculação entre obra e autor, o fato de que nem quando nos desentendemos, certa feita, (somos humanos, iguais; e tão diferentes...) e o autor me mandou aos quintos dos infernos (com recíproca verdadeira, porém não verbalizada nem escrita de minha parte), deixei de acompanhar seus poemas quase diários. Como pessoa ponderada (que tento ser, nem sempre com sucesso), na época, o ódio (finito, *risos*) pela figura humana do poeta não influenciou na continuidade de minha apreciação do que assim o merece: sua poesia.

Alguns poemas, como por exemplo, “Acredito” ou “Variações Sobre a Mesma Busca”, nos levam, de maneira realista, a olhar para dentro e para os cantos, e enxergar nesse avesso, por vezes belo ou torpe ou disperso, as mesclas entre o que deveríamos saber de cor, e o que não deveríamos nunca, para nosso bem, dar-nos conta. Fabio utiliza como matéria-prima para sua poesia, uma xícara e meia do que recebe (ou toma) do mundo externo; meio quilo e mais um punhado do que cria e deixa crescer por dentro e; uma dúzia de palavras de encaixe conciso, suficiente para dar a forma e trazer à tona a sua idéia. Por último, na receita agridoce dos seus versos, Fabio acrescenta criatividade, inteligência, senso crítico e talento, generosamente a seu gosto e estilo.

Costumo chamar o poeta Fabio Rocha, às vezes em nossas conversas, meu “poeta vivo preferido”. Uma maneira minha de brincar fundindo o que penso realmente com o desejo de agredir - por sofrer a falta - a todos os que nos eram muito antes de nós mesmos, “xingando-os” de mortos. Já se foi ao longe aquele que se negava a ser “casado, quotidiano, fútil e tributável” em seus versos. Também nos deixou o que previa dias que viriam para “premiar-nos com uma laranja ou assassinar-nos de imediato”. Pessoa, Neruda e tantos outros... Muitos dos escrutinadores da essência humana (talvez os melhores, Deus me ajude a estar errada) passaram, e se foram; mas Fabio é prova de que eles deixaram, além de raízes firmes, muito de indelével e, graças a isso, três saudações para o alto: a poesia permanece. Clara e intensa. Mesmo que, por vezes,

não raras,

o acre

dite

as regras

insisto em repetir: a poesia permanece. Segue. Mas você não precisa acreditar em minhas palavras. Pode comprovar por si nas próximas páginas.

 

Lucimara Sumie Hayoama
http://lumevagante.blogspot.com

 






 
 


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