No ar desde julho de 1999, com cada vez mais poesia! Adicione aos seus favoritos para voltar outras vezes...

Livros mais vendidos











Google


Somos um dos sites
sobre poesia mais
visitados do Brasil,
confira as estatísticas!



Este site existe porque acredito que a humanidade precisa de arte, filosofia, autoconhecimento, cultura e educação. Navegue, inspire-se, reconheça-se, crie, liberte-se, viva... Fabio Rocha
 
     

 

Prefácio

Sangro mas não choro - Rubens da Cunha

Fabio Rocha é um poeta surpreendente. Dono de uma produção contínua, publicada tanto em livros reais, quanto em livros virtuais. Objetos diferentes para comportar uma obra poética que se diferencia pela crueza direta da coloquialidade: “caralho, estou fazendo um poema” por aquela simplicidade aparente, pois seus textos estão agarrados no cerne das questões cotidianas: “Estou amargo como o aspargo que não comi”.

Neste “O Outro” há uma certa revolta, provocada pelo indivíduo preso na cidade gigante: “O que eu quero tendo raiva dessas manifestações mínimas que me aparecem milagrosamente numa cidade sem amigos, de amigos distantes, de amigos ocupados, de nenhuma amiga?” A solidão imposta pelo ambiente conturbado é combatida por Fabio com ironia, um preciso humor amargo, mas nunca negro ou agressivo. O humor dos poemas manifestam uma vontade intrínseca de que tudo poderia ser diferente, mas infelizmente não é.

Todas as relações humanas, as desconexões entre os seres, as dúvidas quanto à própria função de poeta neste caos, perpassam este livro, feito estiletes invadindo nossas verdades estabelecidas.
Fabio não considera sartrianamente os outros como inferno. Em certo momento diz “eu tento ser perfeito para o outro” e nesta tentativa (a tentativa de todos nós) erra e acerta, escorrega e reclama. Humano demasiado que é, expõe o os joelhos ralados no poema, imiscuindo o eu-Fabio Rocha, o eu-lírico, o eu-leitor numa coisa só. Mesmo quando se tranca, o mundo externo retém toda a sua atenção, a sua necessidade de ser compreendido. Em Umbral, um dos mais belos poemas do livro, percebe-se esta dualidade: eu x mundo.

Estou trancado.

Lá fora
leões
que amo.

A casa encolheu
ou eu que cresci?

Estou armado até os dentes.
Eles têm fome.
Ouço seus rugidos.

(Algo em mim quer ser um monstro.)

Cansado de ferimentos
olho para a porta
a chave pesando a mão.

O homem sendo diferente - a maldição da sensibilidade - deseja entre parênteses ser um monstro, pois lá fora estão os leões que ama, lá fora está a vida que o seduz e repele, “suicida sem coragem”.

Neste percurso cotidiano, de frieza, de mundo em guerra, os poemas vão dialogando com outros autores: Drummond, Cecília, Cazuza, vão tentando entender a força descomunal da contemporaneidade consumista, alarmista, indiferente: “o cotidiano me cospe me corta me cota em minhas costas o peso do não ser”, ao mesmo tempo em que busca soluções: “É parando que se chega perto de ser você mesmo” e no meio de tudo tenta convencer o labirinto que há firmeza e vontade.

No alto desta poética afetada pelo mundo externo, que busca diálogos interpessoais com “morcegos absurdos”, o poeta grita: “sangro mas não choro”. Estaria mentindo ou dizendo a verdade? Descubra você, invadindo este “O Outro” descobrindo-lhe as artimanhas e a beleza.

Rubens da Cunha
http://www.casadeparagens.blogspot.com





 
 







Poesia Webdesign

La Brute - Jogo Online
Pesquisa personalizada