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Este site existe porque acredito que a humanidade precisa de arte, filosofia, autoconhecimento, cultura e educação. Navegue, inspire-se, reconheça-se, crie, liberte-se, viva... Fabio Rocha
 
     


O trabalho abaixo é um livro independente e gratuito. Boa leitura.


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PREFÁCIL

Todos sabem que o nosso país não tem especial apreço pela leitura de literatura, sobretudo pela poesia. A arte brasileira por excelência é a música popular. Comprova essa assertiva o fato de que o Brasil é um entre os poucos países cujo consumo da produção nativa rivaliza ou supera a da música norte-americana, que se alastra, mundo afora, por força das grandes indústrias multinacionais que monopolizam a produção e o comércio das artes audiovisuais. Uma das características que contribuem para a vitalidade da música popular brasileira, excetuando-se os gêneros de sucessos fugazes, é a poesia. Isso posto, não temo estar errado quando afirmo que, por paradoxal que possa parecer, o brasileiro gosta de poesia, mas sofre da falta do hábito da leitura.

Contudo é alvissareiro observar que o advento da internet, e a sua massificação, tem resultado na aparecimento de centenas, quiçá milhares de novos poetas, alguns já maduros, outros em processo de aprendizagem, mas a maior parte, felizmente, formada por poetas comprometidos com uma nova atitude, que é a de não filiação às idiossincrasias que caracterizaram as escolas teóricas onde os discursos e manifestos fundavam-se preponderantemente na negação da corrente que pretendiam suplantar, como se a arte fosse uma guerra santa onde um ícone havia que ser derrubado para abrir espaço a outro.

É essa a novidade na nova poesia: há espaço para todos e para a diversidade de formatação poética. O belo já não tem vergonha de ser belo, o sentimento já não se emascula pelo temor do ridículo. As palavras libertam-se das amarras subjetivas que se lhes intentaram submeter com o falso dilema da hierarquização; uma tolice que parecia comparar o idioma a uma sociedade de classes onde designou-se para os adjetivos o papel de párias.

É este bom convívio entre todas as formas e todos os ritmos, este criar o novo, cultivando e cultuando o estabelecido e o eterno, uma outra das características que impulsionam a música brasileira e que agora há de servir à poesia escrita e ou inscrita em qualquer suporte onde a imaginação do poeta se lhe permita expressar.

Entre esses poetas que agora se revelam está o Fabio Rocha, que nos oferece à leitura este "TUDO PELOS ARES", livro onde se deve buscar a poesia que surge das suas inquietações, da sua acurada observação do tempo e espaço que habita e não o rigor frígido de poemas laboriosamente lapidados em laboratórios de dissecação filológica. Neste livro, mais que o corpo, é alma, a sua alma, que o poeta nos oferece. Deleitem-se.

Fred Matos, poeta

 

PROSA DE ABERTURA

 

Ricardo Alfaya, maio de 2001.

Considero este um dos melhores livros de autores de nosso tempo que me chegaram às mãos.

O motivo? Difícil dizer de imediato, mas o que me impressionou foi a sintonia de sua poesia, na medida exata, com a época em que vivemos.

Não se trata apenas de ter escapado das armadilhas de tentar reproduzir esquemas recentes já esgotados de fazer poético, mas de ter sido capaz de escapar disso sem escorregar para fórmulas ainda mais antigas e passadistas.

Ler a poesia desse livro é tomar um banho de atualidade. Não no sentido meramente histórico ou jornalístico que a frase possa sugerir, mas também, no sentido estético.

Por outro lado, poucos livros terão recebido um título tão feliz e tão apropriado ao conteúdo que encerra. "Tudo pelos ares". Mistura de irreverência, crítica e lirismo. Título que sugere vôo, imponderabilidade e frescor. Também, explosão e fragmento. A pós-modernidade, com seu acúmulo total de tudo, explode de repente em seu livro e dos fragmentos que voam pelos ares você realiza notável colagem. Colagem ou reciclagem? Sim, há mais que mera colagem, como já se fez em outras obras. Há um discurso implícito nas entrelinhas que realiza a tessitura desses fragmentos, do qual emerge um novo sentido.

E aqui entra um fator interessante. Em vários momentos Fabio Rocha mostra, com muita felicidade na escolha das imagens, o paradoxo em que estamos imersos. Somos destruidores do Planeta, mesmo quando pretendemos fazer "o bem". Pior, e você trata disso com eficácia num poema, somos destruidores até mesmo quando não estamos fazendo nada, quando simplesmente estamos dentro de casa, sentados no conforto de nossa poltrona. Existir é destruir.

Então, a sua poesia de certo modo realiza o sonho da reciclagem. Nada se perde, tudo se transforma, como em Leibnitz. Porque o título de seu livro, além dos aspectos já relatados, retrata também um medo que subjaz a nosso tempo. Sim, nunca estivemos tão perto de ir pelos ares. Mais que isso. Se pensarmos como Gibran Kalil Gibran, que dizia ser o medo da fome a própria fome, então, já fomos pelos ares. Todos nós somos, de certo modo, Memórias Póstumas de Brás Cubas. E você está lá no meio das nuvens da explosão, colhendo os fragmentos e reinventando-os. Com o espírito da reinvenção *possível*.

Talvez daí a irreverência sempre permeada por um toque de leveza. Não há na sua dicção o soturno canto nihilista, o peso do pesar, o hermetismo simbolista, a exaltação dramática. Também não há, e isso me parece importante frisar, aquele tom um tanto cínico que tem marcado a produção contemporânea mais recente. Em resumo: nem exaltação, nem frieza. Um olhar diferente, especial. E isso, acredite, não é pouco e, igualmente, é muito raro.


CRÍTICAS

Rodolfo Muanis, Março de 2001.
A Mosca - site de Rodolfo Muanis

Um Ser Leminskiano

Ao poeta Fabio Rocha

Ele é um poeta leminskiano
Que disseca em seus versos os sentimentos,
Que faz neles homenagem aos momentos,
Que com ousadia dedica seu novo livro ao vento.

É sobretudo um lamento.
Ver que a poesia,
Que como ele mesmo diz é magia,
Ainda não teve neste país
Uma merecida estadia
Nas livrarias, nas escolas,
E no coração do povo.

Mas também!
O povo ainda lê muito pouco.

E o poeta insiste,
Ele não desiste.
Não quer ser rico,
Não quer vender livro.
Ele quer...
É ser lido.

Após admirar a ousadia de Fabio Rocha ao lançar de graça pela Internet o seu segundo livro "Tudo Pelos Ares"

 




 
 







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